Único, assim era o fantástico Atelier de pintura da Escola de Belas Artes da UFRJ que me lembro, o lendário Pamplonão, um lugar excepcional que nos abrigava com sua graciosa arquitetura, de paredes douradas, espaços ornamentados com réplicas fiéis em mármore e bronze de esculturas vistas somente no Louvre, alem de uma belíssima iluminação, tinhamos a companhia do agradável perfume das flores dos jardins suspensos, do ar puro e refrescante da límpida Baia de Guanabara, e alem de tudo o importante apoio e magistral assessoramento dos inúmeros e excelentes grandes mestres magníficos Gênios da pintura (editora Abril) que lá habitavam, passando-nos seus vastos e significativos conhecimentos e impressionantes técnicas artísticas aos novos Rembrandts, Cézannes e Malevitchs tupiniquins do novo século, o XXI. Tudo era muito intenso e grandioso nada fugia aos sentidos, era uma das provas vivas e espaciais de genialidade humana.
Podia-se ouvir ao longe, o som hipnótico dos lagos artificiais repletos de carpas dinamarquesas cercada de Ninfas, Sátiros e arvores frutíferas oriundas da Europa, e gorjeios de aves como garças, gaivotas e faisões que passeavam pelo imenso jardim que existia alem dos vitrais. Não posso deixar de mencionar aqui os esplendorosos Toilets, com suas louças estilo Rococó datadas do século XVIII em ouro e prata, o feminino com temas Afroditianos e o masculino com a temática Apolínea; Sempre havia um ou dois alunos que preferissem apresentar algum trabalho performático ou instalação num dos banheiros. Lembro-me que ao adentrar pela primeira vez o atelier, receoso, fiz o possível para controlar a pressão que meus pés exerciam ao pisar o macio chão, de madeiras que de tão envernizadas e bem polidas, podia-se, nele, muito facilmente fazer uma refeição sem maiores problemas higiênicos, sendo assim não queria ver minhas pegadas marcarem o assoalho de mogno sagrado daquele imenso espaço que era a casa de Minerva.
Para finalizar essa viagem ao passado torno-me a lembrar e menciono os nomes da incrível seleção docente que em minha época estavam: Marcelo Duprat, Suzi Coralli, Júlio Sekiguchi, Nelson Gonçalves, Aurélio Nery, Lourdes Barreto, Carlos Zílio, Romário e Edmundo; Tudo isso enquanto caminhávamos velozes rumo a desconhecido em nossos impecáveis cavaletes de Muiracatiara.



